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  • Foto do escritorJúlia Chaves

IGREJA N.S. DAS GRAÇAS E SANTA TERESINHA

O SANTUÁRIO DO TIROL


Com uma história que se confunde com o surgimento do bairro Cidade Nova, atualmente Tirol e Petrópolis, e a expansão e modernidade da cidade do Natal no início do século XX, a Igreja Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha é um templo religioso eclético de extrema importância histórica, arquitetônica, cultural, religiosa e social para o estado do Rio Grande do Norte. Com quase 95 anos de sua inauguração, o “Santuário do Tirol” é um belíssimo exemplar da arquitetura eclética do nosso estado que se encontra em ótimo estado de preservação e em funcionamento até os dias atuais. Devido a esta importância, a Igreja Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha é o tema de hoje da QUINTA POTIGUAR.

Nos primeiros anos do século XX, Natal passou por um plano de expansão que resultou na criação e desenvolvimento de seu terceiro bairro, a Cidade Nova. Esta área, que atualmente compreende os bairros de Tirol e Petrópolis, passou a representar a mudança e a modernidade de um período de transição política no Brasil, que acabara de instituir a república em seu território. Suas ruas planejadas, largas, retas, arborizadas, eram grandes atrativos para os grupos “dirigentes e mais abastados da cidade e do estado [...]”, que buscavam “[...] criar novos padrões para aquela cidade que se tornava capital de um estado no contexto republicano” (SIQUEIRA, 2013). Ao longo das décadas seguintes, foram surgindo novas edificações no bairro para suprir as necessidades da população que passou a habitar a Cidade Nova. Belíssimas edificações ecléticas, como posteriormente a Maternidade Januário Cicco (ver texto), receberam doações e ajuda da população do bairro para sua construção.

Desta mesma forma, em 1925, sob responsabilidade e aprovação do terceiro bispo da Diocese de Natal, Dom José Pereira Alves, foi iniciada a construção da Capela de Nossa Senhora das Graças, que visava suprir a necessidade dos fiéis locais de ter um templo católico em seu bairro. O terreno para a construção da capela, foi doado pelo Coronel Francisco Cascudo, conhecido comerciante potiguar, e possuía uma privilegiada localização nas esquinas da Rua Apodi com a Avenida Rodrigues Alves. Até o presente momento, não se sabe ao certo quem foi o arquiteto responsável pelo projeto original da edificação. Dois anos após, a responsabilidade da construção passou ao Monsenhor José Alves Ferreira Landim, que fez valer o regulamento da instituição Pia União de Santa Teresinha, sendo esta a patrocinadora extraordinária para a conclusão das obras. Foi por causa deste fato, que a capela passou a se chamar nesse mesmo ano de Santuário de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha. Em 24 de Dezembro de 1930, finalmente se iniciaram as comemorações de inauguração do templo que ficou popularmente conhecido como ‘O Santuário do Tirol’, e essas festividades se estenderam até dia 01 de janeiro de 1931. Após quase 20 anos, em agosto de 1950, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, o quarto Bispo Diocesano da Diocese de Natal, oficializou a criação da Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha, modificando novamente o nome do templo e transformando o Monsenhor Landim no primeiro pároco. Ao longo da história da edificação, nomes importantes como o do Padre Heitor de Araújo Sales, o cônego Luiz Wanderley, Padre Francisco das Chagas Pereira Pinto, Padre Manuel Barbosa, Padre Francisco de Assis Pereira, Padre Lucas Batista Neto, Padre Robério Camilo da Silva, dentre outros, assumiram papéis importantes nesta paróquia. Nas primeiras décadas do século XXI, a edificação passou por reformas e em 01 de outubro de 2010, dia de Santa Teresinha de Lisieux ou Santa Teresinha do Menino Jesus, o templo foi reinaugurado, marcando os 60 anos da criação da paróquia. Nesse mesmo ano, foi inaugurado ao lado do templo, o Centro Pastoral Cardeal Dom Eugênio Sales que conta com Salão de Eventos, salas para arquivos, depósito e banheiros, e neste mesmo prédio também se encontra a Secretaria Paroquial, o Gabinete Pároco e a Casa Paroquial, residência do pároco e do vigário paroquial. Atualmente, o templo continua com sua mesma função original e tem como pároco o Padre Charles Dickson. A edificação continua preservada e a Igreja se consolida como um dos principais e mais belo templo religioso do Rio Grande do Norte.

Fachada Rua Apodi - Fonte: arquivo próprio

Em relação a arquitetura, a Igreja N. S. das Graças e Santa Teresinha possui um estilo arquitetônico eclético que veio diretamente da Europa e se popularizou no Rio Grande do Norte entre o final do século XIX e no início do século XX. Este estilo foi caracterizado pelo resgate e mistura de estilos arquitetônicos do passado e assim como o Bairro Cidade Nova, representava a modernidade e o progresso da região, sendo assim escolhido como o estilo do novo templo. Especificamente, a edificação possui características do estilo neogótico, presente em outras fachadas de edificações ecléticas temas de textos aqui no Quinta Potiguar, como o Solar Bela Vista (Ver texto), Palácio Felipe Camarão (ver texto), a Sede do IPHAN/RN (ver texto) e a Estação Papary (ver texto). Assim, podemos destacar na Igreja Santa Teresinha, a planta baixa com recuos, simetria e em formato de cruz; a edificação elevada em relação ao nível da calçada; a fachada verticalizada, decorada com massas e colunas falsas, torre única ao centro da edificação que abriga e destaca a entrada principal, esquadrias predominantes com grandes alturas, vitrais e vergas em arcos ogivais encimados por óculos; platibanda escondendo os telhados e sendo decorados com pináculos.


Análise Arquitetônica - Fonte: editado pela autora
Vista aérea da Igreja Santa Teresinha (Amarelo: Planta baixa em formato de cruz; Verde: recuos) - Fonte: editado pela autora

Em conclusão, a Igreja Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha é um precioso patrimônio do Rio Grande do Norte que, felizmente, encontra-se bem preservado e contando, por meio de da sua arquitetura, a história potiguar. A edificação tem imenso valor histórico, cultural, social, arquitetônico e religioso e, por isso deve continuar sendo preservada. PRECISAMOS PRESERVAR O NOSSO PATRIMÔNIO!



 

Fontes:


  • DESCONHECIDO. História. Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha: ARQUIDIOCESE DE NATAL, Natal. Disponível em: https://www.santuariodotirol.com.br/historia . Acesso em: 21 jun. 2023.

  • DESCONHECIDO. Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha – Tirol – Natal. Arquidiocese de Natal, Natal. Disponível em: https://www.arquidiocesedenatal.org.br/post/par%C3%B3quia-de-nossa-senhora-das-gra%C3%A7as-e-santa-teresinha-tirol-natal#:~:text=Par%C3%B3quia%20de%20Nossa%20Senhora%20das%20Gra%C3%A7as%20e%20Santa%20Teresinha%20%E2%80%93%20Tirol%20%E2%80%93%20Natal,-Av.&text=Em%201925%20foi%20iniciada%20a,Dom%20Jos%C3%A9%20Pereira%2C%20Bispo%20Diocesano.. Acesso em: 21 jun. 2023.

  • DESCONHECIDO. A Paróquia. Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha: ARQUIDIOCESE DE NATAL, Natal. Disponível em: https://www.santuariodotirol.com.br/a-paroquia . Acesso em: 21 jun. 2023.

  • GREGÓRIO, Heitor. Paróquia de Nossa Senhora das Graças e Santa Teresinha divulga programação para a Semana Santa. Tribuna do Norte, Natal, 12 abr. 2022. Blog do Heitor Gregório. Disponível em: https://blog.tribunadonorte.com.br/heitorgregorio/paroquia-de-nossa-senhora-das-gracas-e-santa-teresinha-divulga-programacao-para-a-semana-santa/. Acesso em: 21 jun. 2023.

  • SIQUEIRA, Gabriela Fernandes de. A construção da espacialidade Cidade Nova (Natal) durante a Primeira República. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA: CONHECIMENTO HISTÓRICO E DIÁLOGO SOCIAL, Não use números Romanos ou letras, use somente números Arábicos., 2013, Natal. Anais [...] . Natal: Anpuh Brasil, 2013. p. 1-20. Disponível em: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364336041_ARQUIVO_Artigo-Gabriela-ANPUH.pdf. Acesso em: 28 jun. 2023.

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