• Júlia Chaves

Solar Bela Vista


Inserido no Corredor Cultural de Natal encontra-se o imponente Solar Bela Vista com sua belíssima arquitetura eclética. O casarão foi construído no início do século XX e logo se destacou na cidade por utilizar os melhores recursos técnicos existentes na época, com seus materiais vindos diretamente da Europa. O autor desta belíssima obra foi o seu proprietário, Coronel Aureliano Clementino de Medeiros, influente comerciante e dono da loja "Paris em Natal", que o construiu com a função de servir como residência para sua família. Após a morte do Coronel, o casarão foi vendido e se tornou o Tribunal de Justiça. Na sequência, a edificação passou a abrigar o prestigiado Hotel Bela Vista, que deu o nome para a edificação até os dias atuais. No entanto, após este período a edificação passou muitos anos abandonada, até ser adquirida pelo Serviço Social da Industria (SESI), que a restaurou na década de 1980. Atualmente, funciona como um belíssimo Centro de Cultura e Lazer, administrado pelo SESI, com espaços para exposições, salas de música e artes. A edificação é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) devido a sua riquíssima história e arquitetura e é pelo mesmo motivo que o Solar Bela Vista é o tema de hoje do Quinta Potiguar.

Fachada e entrada lateral Solar Bela Vista - Fonte: Flikr

O casarão foi construído entre 1907 e 1908, na então denominada Avenida Dr. Junqueira Aires, principal elo de ligação entre os bairros de Cidade Alta e Ribeira. Construída em estilo arquitetônico eclético, o projeto do Solar Bela Vista foi de autoria de seu proprietário, o Coronel Aureliano Clementino de Medeiros, com o objetivo de funcionar como residência de sua família. O comerciante era dono da bem sucedida loja "Paris em Natal" e logo a construção chamou a atenção na região por utilizar os melhores materiais existentes na época. No ano de 1933, após a morte do Coronel Medeiros, a residência passou a abrigar o Tribunal de Justiça e permaneceu desta forma por 5 anos até ser vendida para se tornar o Hotel Bela Vista. Por causa de sua localização privilegiada e sua edificação belíssima, o hotel era muito prestigiado na cidade e assim recebeu o nome que é conhecido até hoje, Bela Vista. Em 1958, o hotel fechou e a edificação ficou abandonada, chegando a ser ocupada por pessoas em situação de rua em busca de abrigo, até ser adquirido e restaurado pelo SESI nos anos 80. Em entrevista para o nominuto.com, a gerente do Solar Bela Vista em 2007, Selma Bezerra, contou "Antes do SESI adquirir a casa da família, o prédio estava bem depredado [...]. A intenção do SESI era transformar a casa em um Centro de Cultura e Lazer e é o que ela vem sendo desde então." (Menna, 2007) As obras de restauro ficaram a cargo da Fundação José Augusto em parceria com o SESI e em 1984, foi aberto ao público o Centro de Cultura e Lazer do SESI, com espaços para exposições, salas de música e artes. Em 17 de fevereiro de 1990, a edificação foi tombada a nível estadual e em 2014 foi tombada a nível nacional pelo IPHAN. Atualmente, a edificação continua preservada e funcionando como Centro de Cultura e Lazer sob a administração do SESI/RN.

Quanto à arquitetura, o Solar Bela Vista é um exemplar bem preservado e conservado da arquitetura eclética do Rio Grande do Norte. A edificação foi construída com os melhores recursos técnicos e acabamentos existentes na época, nos quais, de acordo com a superintendente do IPHAN/RN, Jeanni Nesi, pode-se destacar: "[...] a bela balaustrada decorativa e o relógio, [...] desenhados e construídos por Corbiniano Villaça, que trouxe de Paris todo o material necessário às obras" (Nesi, 2020). Além disso, a implantação da edificação no terreno chama a atenção, pois o casarão foi construído ao centro do lote, contendo jardins em todo seu entorno, algo raro nas edificações da época. Em relação à fachada podemos destacar elementos ecléticos, provenientes da mistura dos estilos neoclássico e neogótico, como a simetria, o frontão triangular decorado com uma estrela vazada ao centro, janelas de grandes proporções com vidros e vergas em arcos ogivais, duas entradas protegidas na lateral da edificação, balaustradas decorativas em ferro e telhado não aparente, coberto por platibanda vazado e decorado com pináculos.

Em conclusão, o Solar Bela Vista é um belo exemplar da arquitetura eclética do Rio Grande do Norte, com elementos e materiais originais e de alta qualidade e acabamento. Felizmente, essa estrutura se mantém preservada até os dias atuais, tendo sido pouco modificada ao longo do tempo, além de ter recebido uma grande e respeitosa obra de restauro que possibilitou que até os dias de hoje se mantenha em funcionamento como equipamento cultural. O Solar Bela Vista é um marco do início do século XX em nossa cidade, ao mesmo tempo em que nos agracia com a beleza de seus traços arquitetônicos. Para que continuemos disseminando nossa história, PRECISAMOS CONTINUAR A PRESERVAR NOSSO PATRIMÔNIO!


 

Fontes:

Livros:

  • MEDEIROS, Maria de Fátima. Natal: patrimônio histórico e cultural. Natal/RN: Fuly Editora, 1999. 133 p

  • NATAL. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo. Natal: história, cultura e turismo.Natal: DIPE -SEMURB, 2008; 200p.

  • NESI, Jeanne Fonseca Leite. Caminhos de Natal. 2. ed. Natal: Iphan, 2020. 125 p.

Sites:


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