• Júlia Chaves

Estação Ferroviária da Silva Jardim


Igualmente conhecida como a Antiga Estação Central, Estação Ferroviária Sampaio Côrrea ou até Sede do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), a Estação Ferroviária da Silva Jardim foi inaugurada em 1906, com a presença do Presidente da República Afonso Pena, para ser a sede administrativa de grande parque ferroviário da região, abrigando escritórios e um terminal de passageiros. Construída na Rua Esplanada Silva Jardim, 171, Bairro da Ribeira, a edificação é um exemplar importante e belíssimo da arquitetura eclética e história do Rio Grande do Norte. No final da década de 1960, foi desativada e desde então, passou a abrigar repartições públicas do Governo do Estado até ser cedida ao DNOCS nos anos 2000. O órgão foi responsável pela restauração e adequação da edificação para se tornar sua sede e as obras foram finalizadas em 2013, o que resultou na edificação encontrar-se em funcionamento e em ótimo estado de preservação e conservação até os dias atuais. Felizmente, mesmo com tantas mudanças de uso, a Estação Ferroviária foi preservada ao longo dos seus 100 anos de história, sendo atualmente um importante exemplar original da arquitetura do estado, mas pouco conhecido por sua população. Por este motivo, a Estação Ferroviária da Silva Jardim é o tema de hoje do Quinta Potiguar!

Estação Ferroviária - Fonte: DNOCS, s.d.

A Estação Ferroviária da Silva Jardim foi inaugurada em 13 de junho de 1906, com a presença do então Presidente da República, Afonso Pena. A edificação foi construída com o objetivo de integrar um grande parque ferroviário, "[...] alojar os escritórios de Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte e servir de estação de passageiros." (Medeiros, 1999) A edificação foi construída de forma imponente, com grandes proporções e utilizando a nova arquitetura da época, em estilo eclético. Desta forma, passou a marcar a paisagem urbana da cidade de Natal, que se encontrava em processo de grande expansão e mordernização. No ano de 1916, a edificação recebeu vários prédios anexos que abrigavam oficinas para a manutenção dos trens. Já no ano de 1968, a estação foi desativada e a edificação passou a brigar repartições públicas do Governo do Estado. A Estação foi tombada em 1987 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sendo no ínicio dos anos 2000 cedido para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), através de Contrato de Concessão de Uso, onde a edificação passou por um grande processo de restauração e adequação para abrigar a sede da Coordenação Geral do órgão no Rio Grande do Norte. Em 2013, ocorreu a reinauguração da edificação, e esta, até hoje, encontra-se em funcionamento e muito bem preservada e conservada.


A Estação Ferroviária em construção - Fonte: IBGE

Felizmente, não houveram mudanças significativas que descaracterizassem a arquitetura original da Estação Ferroviária ao longo dos seus mais de 100 anos de funcionamento. Desta forma, podemos perceber que a edificação foi construída em Estilo Eclético, um estilo arquitetônico vindo da Europa que se popularizou no Rio Grande do Norte no início do século XX e simbolizou uma época de modernidade e expansão na região. O estilo era caracterizado pela mistura e releitura de estilos antigos, como o neoclássico, o neogótico, Art Decó, Art Nouveau, entre outros. Aqui no Quinta Potiguar já falamos sobre diversos exemplares, como a Residência Alves, o Casarão 479º, O Palácio Felipe Camarão, a Materinidade Januário Cicco e vários outros, com o destaque para o Casarão Eclético de Caicó, exemplar deste belíssimo estilo que infelizmente foi demolido recentemente. Certamente, a Estação Ferroviária possui elementos arquitetônicos ecléticos influênciados principalmente pelo estilo neoclássico, onde podemos destacar a simetria, o uso de platibanda contínuo para esconder o telhado, a planta regular, acesso principal central marcado por uma grande torre e arcadas, uso de massas para decoração, colunas falsas e vergas em arco pleno.


Detalhes arquitetura - Fonte: editado pela autora

Em suma, a Estação Ferroviária da Silva Jardim é um importante exemplar da história e arquitetura do Rio Grande no Norte que felizmente se manteve preservado por mais de um século e hoje encontra-se em ótimo estado de conservação e em funcionamento, situação ideal para a salvaguarda de uma edificação. Este prédio teve extrema importância na conexão do nosso estado com outros polos da região através da ferrovia e por isso, possui um valor histórico imensurável para os potiguaras, merecendo ser conhecida, estudada, valorizada e preservada! PRECISAMOS PRESERVAR NOSSO PATRIMÔNIO!


 

Fontes:

Livros e Pesquisas:

  • MEDEIROS, Gabriel L.P; FERREIRA, Ângela, L.A. AS ESTAÇÕES DE TREM DO RIO GRANDE DO NORTE: um estudo sobre a sua implantação no ambiente urbano e inventário de suas condições atuais. 21 f. Base de Pesquisa - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN. Disponível em: http://hcurb.ct.ufrn.br/_assets/modules/projetosvinculados/projetovinculado_48.pdf . Acesso em: 03 jun. 2021.

  • MEDEIROS, Maria de Fátima. Natal: patrimônio histórico e cultural. Natal/RN: Fuly Editora, 1999. 133 p

  • NESI, Jeanne Fonseca Leite. Caminhos de Natal. 2. ed. Natal: Iphan, 2020. 125 p.

Sites:






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