• Júlia Chaves

Residência Alves: Patrimônio Arquitetônico Potiguar

Atualizado: 12 de fev. de 2021

Para dar início ao projeto Quinta Potiguar, apresento a vocês a Residência Alves, localizada na cidade de Monte Alegre/RN, ao lado da Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha. Falar dela é fácil e um orgulho! A Residência Alves é um Patrimônio Arquitetônico Potiguar e foi base do meu Trabalho Final de Graduação, o Anteprojeto de Reuso: Centro Cultural Francisco Alves Bay* (capa deste blog).


Construída em 1927 pelo Sr. Francisco Alves, quando a cidade ainda era um povoado pertencente ao município de São José de Mipibu, a edificação é um exemplar belíssimo da arquitetura eclética e de acordo com uma antiga moradora, foi a primeira construção deste estilo na cidade, utilizando a nova técnica da época: telhados escondidos por platibandas**!! A edificação foi projetada e construída pelo mestre Seu Julião, vindo diretamente da capital do estado, Natal, para o trabalho e posteriormente construir outras casas com este estilo em Monte Alegre. Atualmente encontra-se fechada desde 1990, sem manutenção ou projetos de conservação.


Detalhe platibanda Residência Alves

A Residência Alves pode ser considerada e valorizada como Patrimônio Arquitetônico Potiguar pois preserva as características originais de sua construção, sendo assim, um exemplar genuíno da arquitetura eclética do nosso estado e pioneiro na cidade de Monte Alegre. Além disso, foi residência da primeira professora diplomada da cidade, a Professora Eugênia Rocha Alves, figura importante para a consolidação da educação básica do então povoado.

Fonte: Acervo Histórico de Monte Alegre
Fachada da Residência Alves em 1930

Junto de seu marido, o Sr. Francisco Alves, a professora Eugênia, utilizou a residência também para atender às necessidades da comunidade religiosa. Localizada ao lado da então capela, que veio a se tornar a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha, ponto central do desenvolvimento da cidade, a Residência Alves serviu como abrigo para os padres, visto que não haviam padres residentes em Monte Alegre, tornando-se necessário que eles viessem de São José de Mipibu para celebrar missas à população monte alegrense. Ainda mais, os Alves lutaram diretamente e tiveram forte influência na transformação da capela em Igreja Matriz e abrigaram em sua casa, os trabalhadores contratados para construção das torres, que até hoje podem ser vistas.

Em resumo, a arquitetura única, que representa uma época, aliada à ação social de seus proprietários e sua localização estratégica no desenvolvimento da cidade, reforçam ainda mais seu valor para a história do Rio Grande do Norte. Porém, mesmo contando a história de nosso estado através de sua arquitetura, a residência encontra-se em estado de conservação ruim, podendo se perder a qualquer momento. Assim, fica aqui o meu apelo: Precisamos valorizar e preservar nosso patrimônio!

Fonte: Arquivo próprio
Residência Alves em 2018

* Este trabalho pode ser encontrado na aba portfolio desse blog e no link:

**Platibanda: é uma moldura ou faixa horizontal na parte superior de uma construção que tem como finalidade esconder o telhado, as calhas, a caixa d água e outros materiais de construção.



As fontes utilizadas para desenvolvimento deste textos foram moradores da cidade de Monte Alegre e membros da prefeitura municipal, mais detalhes podem ser encontrados no TFG (link acima)







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