• Júlia Chaves

Museu Histórico de Acari


O Museu Histórico de Acari, também conhecido como Museu do Sertanejo ou Casa de Câmara e Cadeia de Acari, é um exemplar belíssimo da arquitetura colonial do Rio Grande do Norte. A edificação foi construída no final do período imperial do Brasil, por causa da necessidade da cidade de abrigar na mesma sede a cadeia pública e intendência de Acari. Ao longo do tempo teve diversas funções e sobreviveu ao tempo sendo pouco modificado até seu tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1964. Atualmente funciona como Museu Histórico de Acari, onde é exposto em seu interior a história da cidade e de seu povo sertanejo. Por sua importância histórica e cultural para o RN e o Brasil, o Museu Histórico de Acari é o tema de hoje da nossa Quinta Potiguar.

Acari é a segunda cidade mais antiga do seridó e sua história teve início com o surgimento de um pequeno povoado no começo do século XVII. Acredita-se que o fundador do povoado foi o sargento-mor Manuel Esteves de Andrade, dono de terras na região e responsável por construir o primeiro templo religioso do local, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, uma edificação já abordada aqui na Quinta Potiguar. Após este período inicial, o povoado foi crescendo ao longo do tempo e, aproximadamente cem anos depois, foi elevado oficialmente à categoria de Vila de Acari, em 1833. A vila contava desde 1830 com uma edificação que abrigava a cadeia pública, porém em 1878, tornou-se necessário a construção de uma única edificação que acomodasse a intendência e a cadeia de Acari. Desta forma, em 1887 foi inaugurada a Casa de Câmara e Cadeia onde no pavimento térreo encontrava-se a cadeia e no pavimento superior a intendência de Acari, equivalente à Câmara Municipal atualmente. Esta disposição no edifício segue uma planta muito comum de edificações com este fim nas cidades brasileiras durante o período colonial e imperial, tanto que podemos encontrar no RN outro exemplar remanescente de Casa de Câmara e Cadeia que está localizado na cidade de Vila Flor e que também foi abordado aqui na Quinta Potiguar. De qualquer forma, não se sabe ao certo o período que esta função mudou, mas sabe-se que ao longo do tempo "[...] suas funcionalidades foram diversas, desde Secretaria de Ação Social, local de votações, moradia de delegados e soldados, sede de banda de música, biblioteca municipal [...] (Medeiros, 2018), local de exposição de filmes e bailes românticos, dentre outras. Em 16 de junho 1964, a edificação foi tombada, junto com outros exemplares do centro histórico de Acari, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional por ser reconhecido como um bem de elevada importância cultural para o Brasil. Em 1980, foi totalmente restaurado e, em 1990, a edificação foi transformada em um museu que evidência e valoriza a história do sertanejo, seus costumes, artesanato e as "[...] principais fontes econômicas do município: a criação de gado e o cultivo do algodão." (Blog Currais Novos, 2016). O belíssimo acervo do Museu Histórico de Acari foi doado pelos próprios moradores da região e até os dias atuais encontram-se disponíveis para visitação no local. O Museu é atualmente considerado um dos "[...] mais expressivos celeiros culturais do Nordeste Brasileiro." (Blog Currais Novos, 2016) e definitivamente se consolida como patrimônio arquitetônico de alto valor para o Rio Grande do Norte e o Brasil.

Museu Histórico de Acari - Fonte: Wikimidia commons

Apesar de ter sido construído no fim do período imperial do Brasil, a influência da arquitetura colonial ainda é evidente nesta edificação. Construída em estilo neoclássico, podemos destacar em sua fachada a simetria, a presença de um andar superior típico de casas de Câmara e Cadeia, número de vãos ímpar, janelas e portas retas emolduradas por cunhais em massa, pouco ou nenhum adorno nas paredes, janela central adornada com sobreverga triangular em massa e as demais em cimalha, acesso central, guarda-corpo vazado em massa das janelas superiores, frontão triangular pouco adornado com brasão central e pinhão no alto, telhado 4 águas escondido por platibanda e cornija corrida contornando toda a edificação, colunas falsas apenas no pavimento superior, além de formato quadrado da planta e geométrico da fachada.

Explicando a arquitetura - Fonte: editado pela autora

Em suma, o Museu Histórico de Acari é um exemplar belíssimo do patrimônio arquitetônico potiguar que felizmente encontra-se em ótimo estado de conservação e preservação. Esta edificação não transmite somente através de seus traços a história da região, como também através de seu belíssimo acervo permanentemente exposto no seu interior. Este é um ótimo exemplo de valorização e preservação do nosso patrimônio que nós devemos conhecer. VAMOS PRESERVAR NOSSO PATRIMÔNIO!!



 

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